terça-feira, 14 de abril de 2015

I Festival Stella Monteiro de Poesias (rodada 3)


     Stella Monteiro





O tema desta rodada é:

Sangue nas Frestas dos Azulejos

Fotografia e arte de Paulo Acacio Ramos


Proposto  por Paulo Acacio Ramos



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"O poeta"
(Carvalho Junior)



suco de versos derramado no chão da casa...

o poeta é um azulejo quebrado nas tuas mãos.
Caxias-Maranhão
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"Em Série"


(Paulo Acácio Ramos)


ah, meu amor
 o que eu te dei
 o deserto em flor
 um jardim de areia
 um tanque de piranhas
 para tomares banho...





Trofa - Portugal


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"Sangue de Maria"

(Izaura Carolina)





Macaé - Rio de Janeiro


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"Descarte"

(Cinthia Kriemler)


limpei com sanitária os teus pedaços
 nas paredes, nas gavetas
 na vagina 
escarrei no urinol de plástico a saliva
 viciada no teu gosto de tabaco e álcool
como se cuspir verdades não fosse
 um jeito de esconder mentiras 
passei a bucha da pia nas panelas
 nos pratos, nos talheres, nos bicos
 dos seios [em cada lugar onde você comeu]
 lavei um copo, bebi o teu sêmen
 e caminhei descalça sobre o teu sangue 
 nas frestas dos azulejos
 prenhe da tua morte


Brasília- Distrito Federal



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"ENCHENTES ARTERIAIS"

 (RaiBlue)





A noite cresce doída
 cancro
 nicotina
 café amargo

( não há mar
 Go! Go! )

mormaço
 nada ventila pulmão adentro

em tom rosé teu cheiro ácido
 corroendo as paredes da mucosa 
da casa rosa
 que um dia pintei pra você

( eu que sou tão blue(s) )

agora só resta
 sangue nas frestas
 dos azulejos
 da sala 
do quarto
 do banheiro

do corpo inteiro

hemorragia letal de quem ama
 e sabe que nem a morte estanca

sou a casa que sangra e afunda 
em enchentes arteriais e profundas
 de rasos amores



. (Salvador - Bahia)

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"azulejo de um porão velho"

(Vinni Corrêa)


uma cadeira
nela
o que restou de um corpo

por uma fresta
a visão turva por pancadas
 o som abafado por afogamento
 o cheiro encardido por queimaduras
o gosto calado por choques

e
pinga
 o sangue
 que apenas sinto escorrer asperamente
 por minhas frestas lisas
 que a história jamais me questionará



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro



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"Sangue na fresta dos azulejos"
 (ao amigo Selarón, Chileno da gema)

(Jan Neves)



Nas ruas de outrora
 Vassalos de agora
 Selarão os olhos
 De quem decora a ação
 Nas escadas

No breu das sombras
Fim de festa e ponto nos desejos
Silencio nos realejos
 Lapadas mudas
E sangue nas frestas dos azulejos



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro



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"formigas"

(Zecafran)
 


no chao da cozinha,
dois corpos,
ela,
de cabelos molhados,
pós banho.


geladeira aberta,
vidro quebrado,
a tv, anuncia mais um comercial;
o corpo dele sobre o dela,
e o sangue misturado,
respingado na parede

e as formigas passeiam
 no sol da tarde
pelas frestas
dos azulejos



Niterói - Rio de Janeiro



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"a-fio"





(Dante Pincelli)





navegou dias

a-fio

(de pernas

abertas)

em seu novo

smart fone

novo

e

antes de morrer-se

deixou um bilhete

criptografado

sobre o  colo:

"meu amor,

não jogue absorvente

no vaso
e limpe

o sangue

do banheiro

da clínica."



Macaé -Rio de Janeiro




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"Distância"

(S. Quimas)


De ti restaram lembranças,
 Um cheiro que teima em meu nariz,
 Miragens de ti que se sobrepõem à realidade,
 Saudade de carmim
 Feito sangue nas frestas dos azulejos.



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro




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''Açougue''

 (gri lo)



Palco de nossa mais recôndita selvageria
 Faminta herança de caçadores/coletores
 Profanadores da santa sacra Natureza
 Paraíso feito inferno de nós mesmos
 Juntos caminhando a esmo
 Abatedouros como destino
Catedral de distribuição de crenças
 Fraca carne carente de reposição
Autofagia como próxima lição.



Cambuí -Minas Gerais





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"Mar Vermelho Latino Americano"

( Andréa Amaral)


Um estampido.
Um gemido.
Uma lágrima corrente.
Um dente.
Um azulejo frio.
Um piso.
Uma parede quente.
Um passo a frente.
E de repente
Um lago, uma poça, um rio...
O Mar Vermelho escorrendo pelas frestas abertas da América Latina.
Uma menina... valente, Andina.
E o seu sangue no braço, no baço, nos azulejos, nos becos...
O silêncio agora atordoa.
O gemido cala.
A lágrima para.
O sangue seca.
E um azulejo frio se enche de vida
porque em suas artérias abertas,
corre uma história de vida e morte.





Nova Friburgo - Rio da Janeiro



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O tema para a próxima rodada é 

TREM

Sugerido pelo S. Quimas









 



quarta-feira, 8 de abril de 2015

I Festival Stella Monteiro de poesias (rodada 2)


     Stella Monteiro


O tema desta rodada é :

VENTRE

Proposto por Rai Blue.





Foto de Dante Pincelli
Dupla exposição-1987.






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"Evento"

(Paulo Acácio Ramos)



Quem abre a porta
Não está à espera
 De ver a face
 De quem vem
De trás
 As facadas
 Desferidas no ventre
As entranhas
Desfraldadas
 Vento que chia
 Nas frestas…
Quem abre a porta
 Não está à espera
 De ter a face
 Lambida
 Pelo vento
 O cheiro das samambaias
 A passar
 Por baixo da porta
 As dobradiças
 Abafadas
 Pelo ranger
 Das roupas que secam
 Quem abre a porta
 Não está à espera
 De levar com a porta
Na cara.





Trofa - Portugal 



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“CONCESSÃO”





 (RaiBlue) 





 Escavas minha mais íntima terra 

Com mãos boca e dentes



Minhas ancas

 Darão o ritmo do teu coração

Delas arrancas 
O segundo
 Terceiro
 Quarto
 Movimento

Fazes-me sinfonia inacabada 
Na partitura do teu corpo sedento

Na tua parte dura
 Eu amoleço

E cedo seiva fruto e semente
 Do ventre à tua garganta

Anda!

Essa noite Ainda serei tua potranca 
Para que me montes
 E me domes


Tomes os fundos do meu território
 Feudo que te concedo
 Meu obediente vassalo .


 



Salvador - Bahia



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"bendito fruto"
(Dante Pincelli)


te adentro lento
te toco fora
te empurro dentro
aumento o ritmo
e
quando lá
bem fundo
no cerne do
teu íntimo
aquele desejo
incontido
de
nunca mais sair
e
ser o bendito
fruto
do teu ventre...
sem renascimento possível.



Macaé- Rio de Janeiro




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"VENTRE"

(Jan Neves)



Entre o umbigo
 E o períneo
Vem o menino

Materna Idade
 Fogo que arde
 Esperma em liberdade

Falo entre lábios
Pelve em relva
 Gozos sábios

Nasce
 Morre
 Vai
 E
ventre


Rio de Janeiro- Rio de Janeiro




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"O Ventríloquo"

(Anderson Fortuna)


 
Do teu ventre emana o mistério
A centelha que rasga o espaço
As palavras que deliram o sonho
Do teu âmago verte o amálgama de todos os sentidos
Tangentes da alma
No teu ventre louco
O arcano Zero 0 alumia a alquimia, a senda
Então declama o menestrel
E reveste o castelo de ouro, prata e cristal
De todo brilho
Candelabros acesos
 Iluminam enigmas...





Rio de Janeiro- Rio de Janeiro



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"Réplica da réplica"
(Zecafran) 

 No ventre da fruta
a semente fértil
deseja a terra
para engravidar
replicar a vida
réplica da réplica...



Niterói - Rio de Janeiro



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"Ventre rubro"

(Izaura Carolina)







Macaé- Rio de Janeiro



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"Moção do ventre livre"

(Ricardo Prins)


 
Ó doce amada mãe de ventres mil  
Fez do menino infantil dentro de mim um homem
 (porque homem não é só o que come sem ter fome)
 Agora já foi, deixe-me ser livre e varonil
 Pra que, mesmo sendo homem, faça outros ventres mil

Onde estão teus ventres mil, ó minha amada 
Que, mesmo amada, a semente não abriu
 (porque homem que come nunca morre de fome) 
Me desculpe se ainda que puro, casto e varonil 
Falhei-te e assim e os ventres mil fiz co’a cunhada



Curitiba- Paraná




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"BEIJOS"

(Cinthia Kriemler)


gestação
vem
 trespassa as carnes
 flácidas que já não satisfazem
 teus desejos
 caminha dentro de mim estradas
 tontas — só mais uma vez
 faz dos rastros terra 
 de plantio e semeia no meu útero 
 cansado a tua lembrança
 para que eu possa (te) gestar
 saudade, eternamente
 no meu ventre-berço



Brasília- Distrito Federal



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"caixa acústica"

(Vinni Corrêa)


cordão umbilical
 vibra e no ventre
 soa o som do bebê


Rio de Janeiro - Rio de Janeiro



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"Ventre"

(S. Quimas)



De um ventre santificado nasci, 
Para morrer nos braços de outra, 
No serpentear de um quadril, 
Ventre que me recebe
 E me faz sonhar,
 Que me traz o Infinito,
 Na precisão de um segundo.
 Assim me entrego à sua cupidez 
E sacrifico minha alma 
A seus ilimitados prazeres,
 Fazendo-me inevitável prisioneiro 
Desse cálice que me é pródigo
 Em total sedução, 
Que se a mim derrama 
E tinge os lençóis da cama 
E de todo me tolda a razão.



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro



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"Ao acaso Virgínia"

(Redson Vitorino)



Acendi uma fagulha dentro de mim com teu lodo
com alvejante nos olhos eu pude vê-la
 E era clara
primária que me ergueu
nas dobras da pernas rechonchudas
Sou graduado
se sou eu quem nego a estadia
 partindo desesperado com xícaras de porcelana
 um milhão de cabeças esperando a vez no teu útero
 com as mãos brancas por você eu estou
 Maldição do concreto que limita
milhas até cair mais uma vez
e nós estaríamos ainda mais longe


Petrópolis- Rio de Janeiro




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"Mulher de luz"

(Carvalho Junior)



por nove meses e um infinito amor ela nos abrigou na barriga,
 o filho não ingrato carrega a mãe no peito pelo inteiro da vida.


( do livro “Dança dos dísticos”)



Caxias- Maranhão


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O tema para a próxima rodada é:

SANGUE NAS FRESTAS DOS AZULEJOS

proposto por Paulo Acácio Ramos.







quarta-feira, 1 de abril de 2015

I festival Stella Monteiro de poesias (Rodada1)

O tema é :

"Estrela"





(Foto retirada do perfil de 
STELLA  MONTEIRO 
do facebook e Fotoshopada por
Lis Mainá Pincelli)


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"Estrela"

(Clarice Monteiro)



Stella sempre foi amante de poesia.
Amante e leitora.
 E era tão bonito vê-la lendo.
 Era uma cena.
 Algo tão mágico acontecia em suas leituras que Stella não se contentava em ler só pra ela.
 Era assim:
 lia, gritava o nome de alguém que estivesse em casa e lia de novo.
 Uma leitura sempre muito bonita, em voz alta.
 Pela voz de Stella também saía poesia.
 Poesia em forma de prazer e encantamento.
 Stella era tomada pelos poemas que lia.
 Poemizava-se.

Belo dia, Dante convidou Stella para ajudar a julgar os poemas de um concurso do seu blog.
 Stella se sentiu muito honrada e com muita responsabilidade.
 Mas coitada de Stella!
 Sofria como um cão!
 Como disse, era amante da poesia
. Não era crítica, percebe?!
 E, a cada rodada do concurso, só ouvia Stella gritar por alguém da família, pedindo socorro, num impasse, sofrendo.
 Aos trancos e barrancos, fazia suas escolhas, utilizando critérios de poematização e não critérios de críticos cri-cris.

 Mas Stella foi chamada a ler poemas em outros cantos, em outras dimensões.
 Virou estrela de vez, destino que carregou no nome.
 Foi brilhar por outras bandas depois de tanto encher nossas vidas de luz.
 Agora Stella deve estar batendo um bom papo, regado a uma cervejinha, com Bandeira e Drummond.
 Fico imaginando Stella chegando no céu:
 - licença meu branco!
 E São Pedro bonachão, ao lado de Irene:
 - entra Stella! Você não precisa pedir licença.





Rio de Janeiro- Rio de Janeiro


 Clarice é filha de Stella, nossa grande homenageada e
escreve poemas lúdicos como este.


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"pó de estrella"

(Dante Pincelli)


no meio da vida
tinha uma estrella
cabelos de ouroluz
como uma estrella deve ter
brilhava encantos
sob um manto azul
não sei se de céu
ou d'aparecida...

tinha uma estrella
no meio da vida,
tinha na ida
te encontro na volta...

o brilho no olho
de estrella esplendor
quando me olhava
com  olhos amor-tecidos de amor...

no meio da vida
tinha uma estrella,
tinha também dentro, perto
 ao redor...

Estrella:
somos todos feitos
do teu pó...


Macaé - Rio de Janeiro



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"Luz"

(Izaura Carolina)







Macaé - Rio de Janeiro




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"ESTRELAS"

(Jan Neves)



Queira Queiramos
 Queiras ou não queiras
 Brilham as estrelas

Signos
 Ígneos
 Sóis
 Da meia noite
 que não movem girassóis

Zoo
 díacos
nebulosas
 Crenças nossas
 Vossas
 E outras Bossas

Quem me dera
 Ipanema
 Brilhar no cinema!



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro




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"Lua de louras tranças"

 (Carvalho Junior)



santa lua de novembro,
 seus áureos cabelos me encantam...
vestem minha alma de admirável esplendor!
os infinitos brilhos que do céu descem
 tatuam no meu corpo estrelas de amor!
 flua sua luz na minha pele crua...
 da sua vida não me exclua!
toda vez que nossos olhos se encontram
 meu coração no céu flutua.


( do livro “A Rua do Sol e da Lua”, Scortecci, 2013)


Caxias - Maranhão




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"Porque nada morre"

( S. Quimas)



Porque nada morre, 
Tudo se esvai em luz,
 Regressa ao que era, 
Antes que a escuridão o roube para que seja estrela,
 Ou apenas reflexo,
 Um sei lá, 
Um sei tudo
 E além.



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro





"À Stella" 
(homenagem póstuma)

(Ricardo Prins)







Curitiba - Paraná



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"Uma Estrela é uma Abstracção do Abstracto"

(Paulo Acácio Ramos)



...A verdade nua e crua não está lá!

A mentira fria e dura não está lá!

Mesmo que estivessem não as vias,

pois são diáfanas, abstractas.


A verdade e a mentira são irmãs

gémeas siamesas impalpáveis.

Como impalpáveis são os perfumes

das flores que não viste,

os suores dos corpos que não tocaste,

as lembranças da inocência que perdeste!



Toda a noite um nevoeiro confunde

a luz das estrelas que sabemos que não estão lá,

mas vemos da mesma maneira,

vemos a luz do passado das estrelas,

vemos aquilo que já foi uma estrela,

mas a manhã está desobstruída.



Um langor de domingo recobre, ainda,

a capela da aldeia, a missa da anunciação

não terminou ainda.

Se sairmos ao jardim.

Como é pequeno tudo: a casa e o fumo,

ondulando acima do telhado!



O vapor congela-se em pratas rosados.

 Suas colunas levantam-se atrás das casas

até o arco do céu, como as asas de anjos gigantes...



Trofa - Portugal


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"Ilusão"
( Angelo Colesel)


O homem amanhecia com dores nos olhos,
tão azuis e tão suaves que ardiam
 na tarde ensolarada.
 Anoitecia,
 bêbado em sua cegueira. E neste escuro,
 apertava seus olhos,
 mas só conseguia ver as estrelas.


Imbituva- Paraná



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"Caminhada"

(Nanda Road)



  Numa estrada distante
Num caminho sem fim
Naquela curva após o monte
Hei de achar aquela estrela
Estrela que me guiará
Até o limite do infinito
Até o fim do recomeço...
E assim seguirei
Sem pressa
Apenas seguirei
Caminharei
E talvez chegarei
Onde preciso chegar
Ou talvez eu pare
E procure outra estrela
E assim seguirei
Seguirei....




Macaé - Rio de Janeiro



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"(ARTIFÍ)CIOS DO CORPO"

 (Rai Blue)



 Na memória rósea
 das mucosas
 ainda é seu o céu
 da minha boca

 as estrelas já são poucas
 pequenas poças de luz e saliva
 que resisto em engolir

 para que no escuro não fique a língua
 à míngua de uma noite infinda
 para reter pequenos oásis
 abastecer o deserto de sua partida

 crescente ausência
feita de águas silenciosas
 que escorrem entre as rochas do peito

 seixos desembocam no sexo
 submerso seu falo em minha volúpia
 ainda meus gemidos arranca
 
(em frêmitos movimentos das ancas)

em minha alucinação você mora
como fuga
 fagulha
 fogos
 (artifí)cios do corpo para não esquecer . .



 








Salvador - Bahia










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"Palavras cruzadas"

(Zecafran)








Niterói- Rio de Janeiro




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"Constelação Germinante"

(Vinni Corrêa)



Um andarilho, calvo e barbudo, contou-me que
 Quando uma estrela cai é sinal de que uma alma
Subiu aos céus e, logo em seguida, outro astro surge,
 Nascendo uma nova criatura na terra, o ser Novae.
 Disse-me também que quando contamos estrelas,
 Apontando para elas, verrugas surgem em nossas mãos
Caso, por descuido, apontemos para as anãs castanhas,
Almas perdidas daqueles que desafiam a ordem, a moral
 e
Os bons costumes. Subversivos que atentam contra a sociedade.

Nunca mais avistei o velho viajante
Em suas jornadas de peregrinação.
Provavelmente cansou-se de sua missão
 Por ver que o mundo está a mudar
 E que dezenas de novas "anãs castanhas" brotam no céu,
Sem disseminar qualquer verruga nas mãos que constroem o mundo.
 Mas, por trabalhar e sofrer demasiadamente,
Essas mãos estão infestadas de calos massudos.
Mãos, e pés, e tronco, e corpo de guerreiros
Cujas almas são, na verdade, estrelas gigantes
Da Constelação Germinante.
 Somos todos poeiras de estrelas,
Contudo, uns produzem muito mais energia que outros.



Rio de Janeiro - Rio de Janeiro 



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"O Andarilho das estrelas" (Anderson Fortuna)


O Andarilho das Estrelas
O Andarilho das Estrelas
Mas se tanto se fez
Mas se tanto se faz
Coração aberto e um Sol nascente em mim
Mas se nada se fez
Mas se nada se faz
Coração fechado e um Sol poente em mim
Eu e você e o mundo bailando sem parar
Seja como for virão canções de amor
E o sentimento do mundo em meu coração
Mas se o infinito me tocar
Eu voarei espaços como uma fênix
Além do bem e do mal
Nascerá um Sol dentro de nós
Mas se o universo me tocar
Eu voarei espaços como um pássaro
Além do meu sonhar
Nascerá um Sol dentro de nós
Seja como for virão canções de amor
Seja como for virão canções de paz
E o sentimento do mundo em meu coração
O andarilho da estrelas caminhando dentro de nós Rio de Janeiro-Rio de Janeiro



O tema para a próxima rodada é:


VENTRE

Proposto pela Rai Blue .

E os trabalhos  devem ser enviados até às 12 h de terça feira (07 de abril de 2015)
pelas mensagens fechadas do Facebook pra Dante Pincelli O Velho.