quarta-feira, 3 de outubro de 2018

"Tributo ao Vazio que Você me Causa"



...

Setembro ruiu entre
torturas vis e possibilidades 
amenas 
de nunca ter estado
sob o gargalo quebrado...

Ai!
E esse gosto de vulva
que não me sai da memória
do bigode
pelos indefesos...

Esses lábios memoráveis 
e esses sucos insaciáveis... 
Meu desejo e o teu trovão. 
Nuvem de palavras para te perder. 
Não sei se é verdade 
e não sei se é porque quero 
teu gosto nos dentes.

Deixa-me beijar-te assim 
com o sono das madrugadas perdidas 
e um céu negro de Outono.

Ou tomo uma atitude
e te agarro na primeira
curva dessa rua sem saída
ou morro seco
sem eco de existência...

Com a grandiloquência
da minha insignificância...



Dante Pincelli & PAR 


                                         



quarta-feira, 30 de maio de 2018

"Justaposição"




Nus
somos seres enormes
e nus 
a arrastar nossos ventres
na merda 
dos que vão à frente...

Enormes
somos seres nus
a cagar nos ventres 
dos que vem atrás...

Cagados
o que somos?

Talvez, quem sabe, talvez... 

Sejamos, a penas, 
aquilo que cagamos. 
A merda 
em que nos movemos.
Quem sabe apenas 
chafurdamos na merda 
que inventamos.

E assim sendo
nos resta a posição
desvalida
na fila da dor...


PAR-PT & Dante Pincelli

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

MAL ou Mar de Amar ao Longe




Num inconteste dia vazio
indubitável feriado nacional
sinto saudades lúdicas
de alguém que ainda não conheço
e vontade ancestral
de voltar àquele lugar
onde nunca estive

estive onde nunca
houve lugar como aquele
para voltar
vontades desejos vontades
ancestrais inutilidades
o que o físico não conhece
o amor irmana
o amor amontoa
o amor sobe a montanha
e cruza o oceano
para ver, quem se ama, 
ao longe...

o mar apalpa os pelos
e, os desejos, ele esconde...

PAR & Dante Pincelli

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Nem uma nem outra

Não dou a outra face
Não dou
Nunca tive quem me lavasse
Nem o rabo nem os pés...
Não dou nada
Do que me basta
Nada que me arrasta
Nada de viés

Não!

Não lambo botas
Nem babo ovos
Nem ofereço minha mão 
A palmatória
Nunca darei
Aquilo que te guardei
O resto, histórias...
O resto, suposições...

Detalhes, meus amores, detalhes!


PAR e Dante Pincelli
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Calmaria Maníaco-Depressiva




Calmaria Maníaco-Depressiva


Aqui tens o irremediável 
café sem açúcar quotidiano!

Aqui tens o amargo
Deplorável
Dos meus enganos
arrependimento
arrependimento
que não mata
que não esfola
não cicatriza

Sofrimento
Absurdo 
me alisa
círculo de vício
palhaço sem máscara
quadrado inscrito em círculo

Currículo perpétuo
De um feto abortado
penitência e sacrifício
imprudência
imprudência
ciclo imperfeito e 
esquecimento.

Um café
Na solidão
Do meu quarto

Um olho
Que se deite
Sobre mim
nada cabe na íris desperta
nada cobre a fenda aberta
vergonha nunca
pudor talvez.



PAR - PT e Dante Pincelli

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Clichê




Quero um amor clichê
que beije toda manhã
com bocas de rumba.

Que desafie a lei 
da impenetrabilidade.
Um amor de profundidade.

Quero um amor perverso
que chupe meu pau
e me vire do avesso.

Que me desafie
e lamba do meu saco 
até ao meu cu...

Que me recite versos 
e se deixe penetrar todo.
Quero um amor bobo.



Dante Pincelli & Paulo Ramos

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terça-feira, 11 de abril de 2017

"Altíssimos"


A cruz pelas costas,
as estranhezas
das fés impostas.
Flor de lótus!
Flor do lodo!
Pétalas à parte
miolo de todos.
Queres fazer linha de caminho?

Queres fazer destino
de fé sem gosto?
(Ladainhas de outubro)
Novelas de agosto...

Pregos nas mãos
da tua dor...

Perigos nas mãos
da tua dor,
da tua dor,
da tua dor.
Da palavra da tua dor.
Da sentença da tua dor.
Da tua dor.

Da toada do tocador! 
Da trovoada do trovador!
Salve as cascatas da mãe.
Salve  machado do pai.

Salve as peripécias
de nós, filhos...
E do espírito do porco, também!


Paulo Acácio Ramos & Dante Pincelli
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sexta-feira, 31 de março de 2017

Ave Mão



A minha mão sabe 
O que procura em teu corpo
No meio de todo esse teu
Um bocado do que for meu...

A minha mão desce
Rumo torto
Aos poucos se lembrando
Do que não esqueceu

Eternamente nua a tua mão
Sobre a minha, como uma ave,
Aninha...

Ternamente crua
Minha mão
Lê a tua
Linha após linha
O que de tua vida
Ainda pertence à minha

E assim dadas
Nossas mãos seguem distraídas 
...
Pelas ruas!

Paulo Acácio Ramos & Dante Pincelli
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terça-feira, 14 de março de 2017

Ouvi dizer que me amavas


Pouco me importa
se tu me gostas,
se trazes nas costas
as contas de amor
que jamais fizemos...

Que guardes em malas
empoeiradas de solidão
os restos desse amor
que já jazia em nós...
Antes mesmo de sê-lo.

Cofres de sete chaves
como quiséssemos guardá-lo
protegê-lo de nós e de si mesmo,
como quisessemos usá-lo
antes mesmo de abrí-lo.

E, num átimo, parí-lo,
dividí-lo, mastigá-lo, absorvê-lo.

E guiar-se, perder-se
novelo...

Paulo Acácio Ramos & Dante Pincelli
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O Olho do Farol



Debaixo do chão, 
os rios de prata,
a marca das linhas
pretas do carvão.
Chão cravejado
de diamantes
que breve serão pão!

Debaixo da prata,
um rio de chão
desata os cravos...
Escravos da solidão
o amor é um vão...

Entre pernas. 
Por entre as mãos
gotas de âmbar
em lábios úmidos.
Urgência túrgida de ti.

Ausência de senso
na ausência de ti.
Emergência que emerge
na prata do rio...
Da lua do olho.
Urgência de ti.


Paulo Acácio Ramos e Date Pincelli
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