segunda-feira, 10 de julho de 2017

Nem uma nem outra

Não dou a outra face
Não dou
Nunca tive quem me lavasse
Nem o rabo nem os pés...
Não dou nada
Do que me basta
Nada que me arrasta
Nada de viés

Não!

Não lambo botas
Nem babo ovos
Nem ofereço minha mão 
A palmatória
Nunca darei
Aquilo que te guardei
O resto, histórias...
O resto, suposições...

Detalhes, meus amores, detalhes!


PAR e Dante Pincelli
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Calmaria Maníaco-Depressiva




Calmaria Maníaco-Depressiva


Aqui tens o irremediável 
café sem açúcar quotidiano!

Aqui tens o amargo
Deplorável
Dos meus enganos
arrependimento
arrependimento
que não mata
que não esfola
não cicatriza

Sofrimento
Absurdo 
me alisa
círculo de vício
palhaço sem máscara
quadrado inscrito em círculo

Currículo perpétuo
De um feto abortado
penitência e sacrifício
imprudência
imprudência
ciclo imperfeito e 
esquecimento.

Um café
Na solidão
Do meu quarto

Um olho
Que se deite
Sobre mim
nada cabe na íris desperta
nada cobre a fenda aberta
vergonha nunca
pudor talvez.



PAR - PT e Dante Pincelli

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Clichê




Quero um amor clichê
que beije toda manhã
com bocas de rumba.

Que desafie a lei 
da impenetrabilidade.
Um amor de profundidade.

Quero um amor perverso
que chupe meu pau
e me vire do avesso.

Que me desafie
e lamba do meu saco 
até ao meu cu...

Que me recite versos 
e se deixe penetrar todo.
Quero um amor bobo.



Dante Pincelli & Paulo Ramos

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terça-feira, 11 de abril de 2017

"Altíssimos"


A cruz pelas costas,
as estranhezas
das fés impostas.
Flor de lótus!
Flor do lodo!
Pétalas à parte
miolo de todos.
Queres fazer linha de caminho?

Queres fazer destino
de fé sem gosto?
(Ladainhas de outubro)
Novelas de agosto...

Pregos nas mãos
da tua dor...

Perigos nas mãos
da tua dor,
da tua dor,
da tua dor.
Da palavra da tua dor.
Da sentença da tua dor.
Da tua dor.

Da toada do tocador! 
Da trovoada do trovador!
Salve as cascatas da mãe.
Salve  machado do pai.

Salve as peripécias
de nós, filhos...
E do espírito do porco, também!


Paulo Acácio Ramos & Dante Pincelli
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sexta-feira, 31 de março de 2017

Ave Mão



A minha mão sabe 
O que procura em teu corpo
No meio de todo esse teu
Um bocado do que for meu...

A minha mão desce
Rumo torto
Aos poucos se lembrando
Do que não esqueceu

Eternamente nua a tua mão
Sobre a minha, como uma ave,
Aninha...

Ternamente crua
Minha mão
Lê a tua
Linha após linha
O que de tua vida
Ainda pertence à minha

E assim dadas
Nossas mãos seguem distraídas 
...
Pelas ruas!

Paulo Acácio Ramos & Dante Pincelli
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terça-feira, 14 de março de 2017

Ouvi dizer que me amavas


Pouco me importa
se tu me gostas,
se trazes nas costas
as contas de amor
que jamais fizemos...

Que guardes em malas
empoeiradas de solidão
os restos desse amor
que já jazia em nós...
Antes mesmo de sê-lo.

Cofres de sete chaves
como quiséssemos guardá-lo
protegê-lo de nós e de si mesmo,
como quisessemos usá-lo
antes mesmo de abrí-lo.

E, num átimo, parí-lo,
dividí-lo, mastigá-lo, absorvê-lo.

E guiar-se, perder-se
novelo...

Paulo Acácio Ramos & Dante Pincelli
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O Olho do Farol



Debaixo do chão, 
os rios de prata,
a marca das linhas
pretas do carvão.
Chão cravejado
de diamantes
que breve serão pão!

Debaixo da prata,
um rio de chão
desata os cravos...
Escravos da solidão
o amor é um vão...

Entre pernas. 
Por entre as mãos
gotas de âmbar
em lábios úmidos.
Urgência túrgida de ti.

Ausência de senso
na ausência de ti.
Emergência que emerge
na prata do rio...
Da lua do olho.
Urgência de ti.


Paulo Acácio Ramos e Date Pincelli
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ardência



Arde em meu corpo
brasa de um fogo que é teu.
Que, ateu, ateias em mim.

Ardem em mim,
atento e sem fim,
chamas que chamam
fogo fim
brasas de mel, 
cedro e marfim...

E meu corpo,
num esforço,
cospe todo teu gosto 
de gozo
sobre flores mortas
de um outro jardim.

Tarda em meu corpo
a flor do teu capim.
Abelha que beija o
copo-de-leite e faz
deleite chama a mim.

Ardo, enfim.



Paulo Acácio Ramos & Dante Saraiva Pincelli

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domingo, 15 de janeiro de 2017

No Chão



tuas formas 
imperfeitas
quadris
peitos
dedos
tuas formas
tão perfeitas...

tua fama mal feita
não condiz
com a graça
do teu pulso
impulso inútil
de correr atrás
de amarrar-te
aos pés da cama

de ir a Marte
em delícias
sacanas

e secar ao sol
e secar ao sol
e secar ao sal

e secar.


Paulo Acácio Ramos & Dante Saraiva Pincelli
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