segunda-feira, 17 de setembro de 2012

II festival Beto Miranda de poesias. Rodada 3-Inconveniente.



Rodada 3/
O tema escolhido pelo poeta
Paulo Acacio Ramos foi:


Inconveniente




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Imagem da internet




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“MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE QUINCAS BORBA”



(Edweine Loureiro)




A Ele, claro: o Bruxo do Cosme Velho.


Naquela manhã,
o cachorro pareceu-lhe
insistente, impertinente…
Um inconveniente!


E, Rubião, indiferente
(ou com Sofia em mente),
afastou o animal,
pagando-lhe a fé
com um cruel pontapé…


Foi quando, ressentido,
ladrou o cão ao amigo,
que parou, assustado,
como se ouvisse ao finado:
“Ai, Rubião…
por que essa ingratidão?”





 Saitama – Japão






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“Quem que te pariu ?”



(Ana Gouvin)




Podes bradar
poetizar até mesmo palavrões
xingar sem nenhum motivo
pois, você disso não carece,
pois nada nos parece tão grotesco
que a puta que te pariu
o fez generosamente
sem saber que no mundo
colocaria ser, tão inconveniente.





Rio de Janeiro-RJ








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        “Elo impertinente”



           (Angelo Colesel)




        tristeza tanta
        inflama a garganta-
        pigarros escuros de noite trevada


        na estrada interna-
        agora vazia,
        queima a nostalgia:


        (os espaços aumentam,
        tal a sombra,
        mas há sombra)


        lamento tanto, somente pranto-
        nada compreendido,
        o laço “cativo” convertido em
        impertinente e vivente presença,
        e de todo inconveniente vivido
        resto-me


        escuro-só, ainda...
        com lapsos...!






        Imbituva- PR







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“anti matéria”



(Zecafran)



a anti matéria devora
os dias
as noites
as horas
a flor
e o beija flor
aquele beijo
não existe
quero mais





 
Niterói-RJ






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imagem da internet







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“CADEIRA DE BALANÇO”



(Jorge Luiz)



Na cadeira de balanço
Me balanço lentamente
A chacoalhar os pensamentos,
Do vento, ouço um leve sussurrar
Desenho um ar princesa
Fingindo uma surpresa de menina,
Declino o meu envelhecer
Ao entardecer do passado,
Atado ao presente
Uma semente do futuro
Onde perduro a balançar,
O olhar da longevidade
Na idade um breve esmorecer
Para renascer uma nova chama
O belo drama da vida,
Vencida,
Me alento no balançar da cadeira,
Na ladeira do tempo inconveniente,
Lentamente esvai-se minha juventude
Na plenitude do meu viver.






Rio de Janeiro-RJ







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“in-con-ve-ni-en-te”




(Flavio Mchado)







sinônimos

signos

substantivos

despropósito

impertinência




conflito

atitudes impróprias

importunando

importunação

ação

reação

escárnio




convém

con-vém

aos donos do poder

ferir as conveniências das regras do jogo




des-respeito

des-acato

des-ordem

des-truição




a pobreza é in-con-ve-ni-en-te

a mentira é in-con-ve-ni-en-te

a morte é in-con-ve-ni-en-te




in-conveniente

inconveniente.






Cabo Frio-RJ







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"Lírica Operática em Tom de Vento nas Frestas das Janelas"




(Paulo Acacio Ramos)




Eu gosto de poetas
que fazem coisas feias
escrevem coisas erradas


que têm as gavetas
lotadas de frases soltas


gosto de poetas sujos
de mãos lavadas
gosto da poesia torta
porca e morta
que muito poucos
ainda fazem


gosto de brindar aos poetas
com o sangue da musa
gosto que a musa
me chupe a caneta
e tenha buceta
de bat-caverna


e um caralho
erguido na noite eterna


gosto da gosma
da musa na ponta
da língua
gosto das moscas que voam
em volta da poesia


...





Trofa-Portugal







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“rotineiro”



(Ricardo Prins)




bom dia bom dia bom dia
sai vem perto chora chuta
limpa escorre grita grita
bom dia mãe mãe mãe oi oi
olha eu aqui aqui eu sei
não sei o que? fala logo!
sai de cima dele garoto
vem ca vem ca me limpa
acabei já acabou
não faz isso larga ele
para de bater nela
eu vou pegar você
vou contar até três
oi oi oi mãe mãe mãe
larga ela garoto eu já disse
ah eu te pego não corre
me dá sua mão
não corre na calçada
volta aqui vem cá
para de tirar meleca
garoto bota uma blusa
olha as visitas
para de mexer no saco menino
larga que isso daí quebra
não derruba ela! já pro seu quarto
vai dormir logo não interessa
grita chora chora chuta
perto longe foi entrou
boa noite boa noite boa noite






Curitiba-PR







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“A Senda”


(Anderson Fortuna)


Na longa estrada da vida
Há muitas ilusões
No caminho que leva a luz, TAO
Desertos, miragens

Há sempre um estorvo


Sombras emergem dos abismos do inconsciente
Candelabros acesos iluminam enigmas
Múltiplas máscaras
Vestem o nosso âmago


Fadas, gnomos e duendes
Nos observam do mundo invisível
Eles cultivam flores multicoloridas
Contemplam uma aurora boreal


Um velho índio
Guia o fogo sagrado
O Grande Espírito
A-C(S)enda






Rio de Janeiro-RJ







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“In, quase out”



(Cinthia Kriemler)



Uma semana
inadiável
inadequada
inapropriada
inadmissível
inconcebível


pariu este poema (?)
inacabado
inconsistente
inaceitável
inconcebível
indigesto
inconveniente







Brasília-DF







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“fernandando”




(Dante Pincelli)





o mar
o amar
o barco
o fraco



o porto
o corpo
a onda
a inda


o dar
a dor


navegar é preciso
viver é inconveniente...






Macaé-RJ







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Imagem da internet






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A poetisa Cinthia Kriemler
escolheu como tema para a 4ªrodada do II Festival Beto Miranda de Poesias,


“MÁSCARAS”


Os trabalhos devem ser enviados, preferencialmente, pelas mensagens do Facebook pra:


Dante Pincelli O Velho


e, no caso de formatação diferente, arquivo fotográfico etc
envie para  o e. mail:


dantearte@hotmail.com


Os trabalhos de vem ser enviados até sexta feira, dia 21 de setembro, às 12:00 h, impreterivelmente.






Orgulhosamente.

Dante Pincelli















16 comentários:

  1. Mas que linda rodada esta nossa terceira, com poesia e estandarte, com vela e bandeira... que rodada linda!

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  2. O conjunto da obra faz parecer que foi combinado, há complementação de pensamentos.
    Poesias maiúsculas.

    Obrigado minha gente.

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  3. De: Jorge Luiz

    A cada rodada, é mais uma surpresa, impresionante como cada poesia emociona mais e mais.

    Todos os participante estão de parabéns, especialmente pra vc Dante.

    Abçs

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  4. Jorge Luiz.

    Correção: "Impressionante"

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  5. mete o bedelho, fedelho,
    quebra espelho,
    mexerica a gente,
    fofoqueia, mente
    que nem se sente
    e some
    sem dizer se o inca vem, o niente!

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  6. e a piracema da poesia
    poemas como cardumes subindo o rio
    que corre em nossa mente
    parabens a todos os poetas
    cabe aos leitores jogarem suas redes e colherem
    seus peixes...abrs a todos em especial ao meu irmao dante
    pelo sucesso

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  7. Maravilha, Poetas! Um orgulho estar entre voces.

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  8. Sem palavras! Vocês gastaram-nas todas. Semana que vem espero estrear. Abraços.

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  9. Adorei essa rodada, uma pena eu não ter conseguido conectar-me ao meu poema (que está em algum lugar, só não o encontrei ainda, rs). Um salve maiúsculo para os poemas do Edweine, do Paulo Acacio e do Ricardo Prins: mandaram muito!!
    Mas todos foram nota dez. A estreia do Flavio Machado também foi marcante.
    Abração!
    Lohan.

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  10. Obrigado, Lohan. Honrado, amigo, com suas palavras. Muito obrigado, amigos.

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  11. Lohan cadê vc aqui dentro do blog? carnaval...
    Chico Ferreira cadê vc aqui dentro do blog? pão de queijo...

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  12. Gosto do jeito com o qual o Jan se vira sozinho, não dando tempo de enviar o poema, ele posta nos coments...
    "Qual revoada de alegres andorinhas
    sob o claro e bonito céu de anil
    somos nós as crianças da colônia
    da marinha mercante do Brasil..."

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  13. Eu perdi a data.

    Muito boa esta rodada.

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