segunda-feira, 3 de setembro de 2012

II festival Beto Miranda de poesias.Rodada 1- LínguA'fiada.




Abertura:




Era 1979, acho, Barish e eu, ramos o grupo do Cão, fomos tocar num festival, durante os ensaios e passagens de som, conhecemos Beto e Joe que eram Beto e Joe mesmo, na hora ficamos encantados uns pelos outros e acabamos tocando todos juntos as 4 canções, duas de cada dupla.a

Ali nascia uma parceria maravilhosa e, sem desfazer dos outros dois, que eram talentosos demais, Beto e eu, formamos uma espécie de feijão com arroz, Pelé e Coutinho, queijo e goiabada, lápis e papel, voz e violão... A sintonia era total, principalmente no que escrevíamos (éramos e somos músicos completamente amadores).

Beto era e é o melhor poeta que já li, pois escrevia (forma e conteúdo) da maneira que eu gostaria de escrever.

Como ‘tristeza não tem fim, felicidade sim’, a vida nos empurrou pra caminhos diferentes e nos perdemos uns dos outros.


Era 2010, estava eu postando poesias no facebook e procurando o velho parceiro, quando acabei encontrando. Em dezembro daquele mesmo ano ele, Beto, veio aqui em casa com toda a família e me trouxe de presente este blog, todo completo, só pra eu publicar o que quisesse.


Por quase 1 ano publiquei sozinho os meus escritos e alguns do Beto (só os que eu sabia de memória), pois o nosso livro de anotações tinha ficado com ele, em 1981 e, ele acabou por jogá-lo fora.


Em meados de 2011, inventei o I festival Beto Miranda de poesias, que só terminou em fevereiro de 2012 e, desde lá decidi dividir este espaço com todos os poetas do mundo. 

De abril a junho aconteceu o I concurso LínguA'fiada de poesias, concurso este, vencido pro Lohan Lage Pignone, seguido de Francisco Ferreira e Rodrigo Ribeiro e agora, começa a 2ª edição deste que é, sem dúvida, o festival virtual de poesias mais charmoso do uni-verso.

Os poetas que participam costumam me agradecer pela oportunidade, mas eu é que fico grato a todos por me darem um voto de confiança, embelezarem, e tornarem possível este sonho de ‘gritarmos’ numa só voz: 

Viva a poesia!!!

E por fim, digo em meu nome e em nome de todos os poetas participantes:

Obrigado 


BETO MIRANDA!



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II Festival Beto Miranda de poesias.

Rodada 1


Tema: LínguA’fiada






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"Ponto fora da paisagem"


 
(Henrique Koifman)









 (Foto e legenda: Henrique Koifman)


Reflexo meio sem nexo mas com rima ruim e paisagem lá fora do ônibus que sacudiu feito coquetel em preparação na mão de um barman epilético diante de meu olhar cético mas algo poético que desaguou neste palavrório em desvario incontido e desprovido de pontuação(este aqui é uma exceção) =>.




Rio de Janeiro-RJ.





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        “Linguarudo”



(Paulo Acacio Ramos)



        Um dia
        Portugal
        há de ter um dia
        em que se respeite
        a língua
        portuguesa
        a história
        portuguesa
        a gente que mereça
        ser respeitada
        um dia
        Portugal
        há de se lembrar
        que para se ter
        uma história
        há que se ter
        uma memória
        que respeite
        essa história.





Trofa- Portugal






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       “ lingu'afiada ou o conto dos dois cabra”



(Ricardo Prins)



        e conto um conto
        desses dois cabra
        só sai fazer
        lingu'afiada


        querela longa
        desesperada
        em tudo mesmo
        lingu'afiada


        te largo a mão
        te sento a vara
        vem cá pra ver
        lingu'afiada


        ah eu te mato
        cabra safado
        inda te mostro
        lingu'afiada


        até que um dia
        não sobra nada
        deles nem mesmo
        lingu'afiada





Curitiba- PR





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“línguA’fiada”
(Soneto)




 (Dante Pincelli)






já não posso calar, cruzar os braços
nem tolher o que pinta o meu poema
que me venham mil feras nesta arena
neste circo cansei de ser palhaço.



quero ser domador do meu cansaço
não preciso fingir ou fazer cena
pois não sou canastrão neste cinema
já não tenho mais medo do fracasso.



faço verso em haicai e até soneto
retirei do armário o esqueleto
então, abro as folhas do meu livro



por isso, permaneço sempre atento
evitando surpresa ou desalento
escrever me mantém muito mais vivo.





Macaé-RJ





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“Paga-se o preço”



(cinthia kriemler)



Deixo minha orelha dengosa
deslizar num passeio de arrepios
pelo tobogã inquieto da tua língua
molhada
e a pequena morte (petite?)
conjura outras
de ainda maior prazer
Esqueço o arremate de talho fundo
com que as tuas palavras-
navalhas me cortarão amanhã
desprezando, descartando meu corpo usado
como se dentro dele não morasse
eu
Mas não importa se o preço do agora é pago
em depois
que amanhã é tão longe
e hoje é tão certo
Quando chegar a hora e a tua boca
vomitar o réptil que te obriga a sê-lo
[bicho peçonhento]
eu me lembrarei das borboletas
que lacrei na memória
— sacrário do incorrupto
Uma delas
amarela
farei com que fuja do teu verbo hemorrágico
para emprenhar meu útero
e nascerei de mim em clave de sol
desenho do meu eco




Brasília-DF




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“sem título”



(Marii Brandão)



Uma folha levada pela brisa
Direções destinadas ao que não há
Uma folha molhada pela chuva
Numa poça faz seu mar
Faz-se de barco
Vai navegar...


Um grão de areia numa praia
Uma partícula solitária e vazia
Um grão pequeno e invisível
no seu chão mora, ilha fria
Descontente entre tantos outros
Outros grãos de mentes vazias.


Uma flor que brota
Linda, suave, discreta
Uma flor que surge
Sua beleza é direcionada como uma seta
Frágil, elegante, direta
Uma rosa imperfeita
Seus espinhos são o que lhe resta.





Cruz das Almas-BA





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“lingua fiada”



(Jan Neves)





debate...

e pronto,

pá e

lavra!

A res

posta de chofre

rima tirada

língua fiada

dantes e depois






Rio de Janeiro-RJ




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“Nelore”



(Felipe Rey)




oh não me ignore
eu não sou gado nelore


eu sou poeta nevrálgico
airado a irado
contrariado quando outro camarada
fala de amor, nostálgico


oh não me ignore
eu não sou gado nelore


posso ser pedaço de pano puído
desodorante com prazo vencido
um guarda-pó bem envelhecido
mas quero só que o amigo decore
sem mente mole e bole um alexandrino


oh não me ignore
eu não sou gado nelore


na amarelidez do meu sorriso
eu consigo rimar de improviso
navego todos os dias que é pra ser preciso
por isso não me amole
e não embolore a poesia com todo seu juízo





Não revelou local.




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“Farsa”



(Ana Gouvin)



Em tua boca
imprimo farsante
nossas línguas em núpcias
entrega incessante
num balé único
a rodopiar.
Há uma música molhada
de desejo encharcada
em nossas salivas
língua afiada
doce e ferina
atroz a dilacerar.
E busca a todo custo
os corpos em cobiça
consumindo-se
aniquilando-se
um no outro
tua língua
em constante agonia
aguçada euforia
exaure-se a se deliciar.
E vai noite a dentro
enveredando desvairada
perde-se no céu da boca
eterna madrugada
revelando-te crua
tragando-te nua
tua carne, tuas curvas
teu gosto a se embebedar.
E a língua afiada
do açoite ao cansaço
depois de saciada
adormece em tua boca
nessa farsa louca
de tanto te amar.




Rio de Janeiro-RJ





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“Apreço”



(Charles Soares)



À meia luz,
amei a Lúcia.
A cada ilusão, a cada senão, a cada cifrão...
fugindo às grades da razão
sorvia seu corpo sabendo seu néctar,
cada poro, cada entranha
naquela estranha forma de amar...
Mão no bolso: nem um puto.
Lúcia puta, lambida, frustrada:
__Enfim, a língua fiada!





Saquarema-RJ




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“É terno”



 (Anna Lisboa)




Éramos eu, ela e ela

Bebendo saliva benta

Em um copo cor da pele

Éramos eu, dela e dela

Deflorando de joelhos

Tantas quantas mais de nós

Éramos ela, ela e ela

Três línguas mudas

Rasgadas por espasmos tagarelas

Até que a sorte nos separe





Vinhedo-SP





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“A sobrenatural língua do vento”



(Angelo Colesel)




Impossível explicar
o que a alma pressente,
em palavras. Mas
tudo está claro
ao vento,
que ao suave contato,
afaga a pele e a sente...


Eu pressinto e tudo guardo-
discretos lamentos pungentes-
mascarados num eu somente meu!


(O vento não é amigo. )


Murmura
a todos os cantos
o que daqui
aspira:


com a língua afiada delatora de foice talhante
lambe minha face, sobrenatural -
penetra adentro da casca tênue,
invade a minha alma escondida; do cerne
desliza pelos becos mais distantes,
cruza cimos e desce vias fundas
latejando os ardores sentidos e, soprando ao tempo,
sem nenhum domínio, o que não lhe pertence...


Meu íntimo lamento,
todos veem
e ouvem,
espalhado pelo vento...


Apenas eu ,
aqui dentro,
ignoro e finjo que
nada vejo,
continuo nesta sina inglória de dissimulado:


pressentimento.





Imbituva-PR





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“NAVALHA NA CARNE”



(Edweine Loureiro)




Afiada,
enfadas as Fardas,
corrompes as Fadas,
e não te apiadas…


Oh, Língua,
és tão forte
que não há espada
ou praga
que te corte.


Só a Morte.






Saitama-Japão




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“Variação linguística”




(Lohan Lage Pignone)



Aqui eu vendo a língua
disfiada
Do cabra que
ousou lamber
o xibiu
De minha
Afiada.





Trajano de Moraes-RJ





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“DOM QUIXOTE DOS TUBOS”



(Zacafran)




AS ONDAS
A PRANCHA
A PARA FINA
O CAVALEIRO COM SUA ARMADURA DE BORRACHA
DOM QUIXOTE DOS TUBOS
O SOL SÃO OS OLHOS DO DRAGÃO
E A BOCA É O MUNDO....





Niterói-RJ





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“BOCA-CADEADO.”



(Geovani Doratiotto)




Em boca fechada
de pobre,
a mosca [nobre] sente o eco
do grito
na lufada de ar.





Atibaia-SP





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“teorema”



(Vinni Corrêa)



mate a mágica
mate a métrica
mate a mística
mate a módica
só não mate a música





Rio de Janeiro-RJ





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“Lorota Afiada”




(Carol Vaz)



Paguei minha língua grande
com a perda de grandes amigos
Amigos?
Que disparate!
Se fossem não os teria perdido!
Paguei-a vez outra também,
beirando quase à míngua.
E num inferno de ouro e cobalto,
cercado pelo vazio,
Senti falta dos falsos amigos...
 Chorei o mal da partida.


Ah, vida que cobra dos pobres!
Que tira dos falantes para dar aos metidos!


Prometo a mim mesmo,
feitor de poemas,
caído de um salto,
depois da pancada:


- Não fazer dívidas extremas
- Nunca mais visitar Baalberith
- Não tropeçar em cada ressalto
e
- Manter a boca mui bem amarrada.






Belo Horizonte-MG





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“LINGUA SEM FREIO”




(Jorge Luiz)




Tenho medo,
Da língua sem freio,
Receio, breve esgotada
Enlaçada na coragem criança
Avança perante segredos.


Segredos,
Trincados entre dentes
Sementes insalivadas
Lançadas ao vento
Sedento de alvoroço.


Alvoroço,
Esboço das vergonhas
Cegonhas em rodamoinho
Caminho do furacão
Embrião da desarmonia.


Desarmonia,
Caligrafia sem versos
Reversos da língua afiada
Soada no espaço
Calhamaço diluído.





Rio de Janeiro-RJ





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“Beijo”



(Anderson Fortuna)



Língua que tece mil fios
Novelos de sonho na teia da imensidão
Como navalha
Dilacera a alma, o coração


Faca de dois gumes
Entre a vida e a morte
O céu e o inferno, sismos e abismos
Singra nos mares ocultos
Velados no teu semblante


Serpente que desliza no teu corpo
Face a face
Pele na pele
Corpo a corpo
Pele n pele
Língua na Língua
Bailarinas
Evocam as estratosferas mais sublimes


Língua Afiada
Antena etérea
Perpetra o gosto do tempo






Rio de Janeiro-RJ






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“Linha desafinada”



(Andréa Amaral)




A linha deu com a língua nos dentes

Trio imperfeito de sensações

Um ménage à trois

na verdade de dois.

Entredentes desliza fina

Afia'lingua sem saliva,

sem corte,

sem curva, sem glote.

Falta glicose pra língua.

Falta flúor pros dentes.

Falta lixa pra linha.

E a glosa que é bom

não saiu.






Nova Friburgo-RJ






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“Quem cochicha o rabo espicha”




(Izaura Carolina)






 (Foto e photoshop: Izaura Carolina)







Macaé-RJ






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O Poeta Ricardo Prins
 escolheu como tema para a 2ª rodada deste festival, que é:

Amor bandido

Os trabalhos devem ser enviados, preferencialmente, pelas mensagens do Facebook pra:

Dante Pincelli O Velho

e, no caso de formatação diferente, arquivo fotográfico etc
envie para  o e. mail:

dantearte@hotmail.com



Os trabalhos de vem ser enviados até sexta feira, dia 07 de setembro, às 12:00 h.









Orgulhosamente;

Dante Pincelli


13 comentários:

  1. Que seja um dia três de Setembro
    cheio de tudo que amas
    repleto daqueles que chamas
    amigos...
    um dia para lembrar
    sempre
    um dia como todos os outros dias.

    PAR - PT

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  2. Dia de lindas poesias
    das palavras, acrobacias
    vendaval de euforia
    Da amizade, este encontro, alquimia...

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  3. Parabéns aqui também ! Pelo aniversário e pela rodada!

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  4. Uma honra estar aqui, entre tantos grandes poetas.

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  5. E parabens, Dante! Ja havia dado os parabens no Face, mas fica aqui tambem o registro. Abracos.

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  6. Obrigado amigos, vcs me deram este presente maravilhoso: Poesias aos borbotões, exuberantes e, o melhor é que posso dividir este presente com todo mundo.
    Espero todos na próxima rodada.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Alegria de ver a festa da poesia de volta! Alegria de poder beijar, abraçar e comemorar com aniversariante, meu amor eterno!!!!BEIJOS!

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  9. Parabéns, grande Dante!
    Poesia brilhante reluz dos teus olhos não menos brilhantes.
    Obrigado sempre pelas portas que abres à poesia.
    Felicidades, sempre, sempre.
    Abração!
    Lohan

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  10. E aos poetas dessa rodada, espetacular! Não tenho outra palavra, no momento, pra definir. Que show de poesia!
    Abração em todos!
    Lohan.

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  11. Parabéns Dante, pelo trabalho poético. Adorei seu Blog! Confesso que ainda estou engatinhando nesse assunto. Mas um dia eu chego lá. Vc parece que nasceu para a arte. Que bom! Parabéns duplo (pelo seu aniversário e pelo belo trabalho). Tudo de bom! Eliane Pincelli

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  12. AMIGOS , POETAS, PRIMA, E MEU AMOR, É SEMPRE UM PRAZER PODER TRABALHAR EM PROL DA ARTE, DA POESIA E, TÊ-LOS AQUI COMENTANDO SÓ VEM ME DAR MAIS FORÇA PARA NUNCA MAIS PARAR.
    OBRIGADO A TODOS.

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