
quero nunca cessar de ser
de onde vem essa gente?
gente que se apinha
que se amontoa
forma cidades soci-e-dades?
chove gente engente
chove língua
palavra conversa
é gente á bessa...
eis que um dia chove chuva
rebento de nuvem cheia
cai no mato
cai no monte
cai na cidade
inundachão
escorre árvore
navega pedra
soterração...
cicatrizes virão
outro verão verão
quero o dia
da ressureição do poder
da responsa-habilidade
de lidar com gente
toda essa gente
que se apinha e apanha em cidades
surras de dar dó...
isso é brasil!
2011
enquanto a calma descansa mansa
esfrio meu medo, desenredo, solidão
o frio arde, fere feito faca
os nacos me saltam astronautas, explosão...
enquanto os músicos
tocavam sinfônicos na praça
selava-se o gelo
que molhou minha canção
harmônica entre beijos de sonatas
melódica qual um samba exaltação...
tudo isso percorre volumosamente
minhas venais e arenosas sensações
seduz sonoras serenatas de sereias
e cifra a dissonância da ilusão...
1991